A úlcera venosa é a ferida crônica mais prevalente nos membros inferiores, responsável por cerca de 70 a 80% de todos os casos de úlceras nessa região. Para o enfermeiro que atua em curativos e estomaterapia, compreender o mecanismo fisiopatológico, as formas de avaliação e as condutas terapêuticas adequadas é indispensável para promover a cicatrização e melhorar a qualidade de vida do paciente.

O que é Úlcera Venosa?

A úlcera venosa, também chamada de úlcera varicosa ou de estase venosa, é uma lesão cutânea crônica causada pela insuficiência venosa crônica (IVC) nos membros inferiores. Essa condição gera hipertensão venosa, que compromete a microcirculação tecidual, leva ao extravasamento de proteínas e hemácias para o interstício e, com o tempo, resulta em inflamação crônica e necrose tissular — culminando na formação da úlcera.

As úlceras venosas representam entre 70% e 80% de todas as úlceras de membros inferiores, configurando um importante problema de saúde pública. Além do impacto físico, causam sofrimento psicossocial significativo, afetando mobilidade, capacidade de trabalho e autoestima do paciente.

Classificação e Tipos

Classificação CEAP

A classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica e Patofisiológica) é o padrão internacional para a insuficiência venosa crônica. As úlceras ativas correspondem ao estágio C6, enquanto úlceras já cicatrizadas representam o estágio C5. Essa classificação orienta a comunicação entre a equipe multiprofissional e a tomada de decisão terapêutica.

Quanto à Localização

A maioria das úlceras venosas se localiza na região perimaleolar medial (maléolo interno), embora possam ocorrer também na região lateral e no terço distal da perna. Essa localização é um critério clínico importante de diferenciação em relação às úlceras arteriais.

Quanto ao Aspecto do Leito

Fatores de Risco e Causas

A fisiopatologia central da úlcera venosa é a hipertensão venosa crônica, que gera disfunção endotelial, ativação leucocitária e depósito de fibrina peripapilar — criando uma barreira à difusão de oxigênio e nutrientes para os tecidos. Os principais fatores de risco são:

Como Avaliar a Úlcera Venosa

A avaliação da úlcera venosa deve ser sistematizada, documentada e repetida a cada troca de curativo. Os principais parâmetros incluem:

O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) deve ser realizado antes de iniciar qualquer terapia compressiva. ITB ≥ 0,8 indica perfusão arterial adequada e libera o uso seguro de bandagem compressiva. ITB abaixo de 0,5 contraindica a compressão de forma absoluta.

Tratamento: Protocolo Passo a Passo

O tratamento da úlcera venosa deve ser sistematizado e baseado em evidências. Veja o protocolo recomendado:

Dicas Práticas para o Enfermeiro

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre úlcera venosa e úlcera arterial?

A úlcera venosa se localiza tipicamente na região maleolar medial, tem bordas irregulares, exsudato abundante e dor que melhora com a elevação do membro. Já a úlcera arterial costuma aparecer em áreas de proeminência óssea ou nas extremidades dos dedos, apresenta bordas bem definidas, leito pálido ou necrótico, dor intensa que piora com a elevação e melhora com a pendência. O ITB abaixo de 0,9 sugere comprometimento arterial e contraindica a bandagem compressiva.

Úlcera venosa tem cura definitiva?

A úlcera venosa cicatriza com o tratamento adequado, porém apresenta alto índice de recidiva — chegando a 70% em 3 anos — caso a insuficiência venosa de base não seja corrigida. O uso contínuo de meia elástica de compressão após a cicatrização é fundamental para prevenir novas lesões. Em alguns casos, o tratamento cirúrgico das varizes pode ser indicado para reduzir o risco de recidiva.

Posso usar cobertura de prata em todas as úlceras venosas?

Não. A cobertura com prata é indicada quando há sinais clínicos de infecção ou suspeita de biofilme, como odor fétido, exsudato purulento ou retardo inexplicado na cicatrização. O uso indiscriminado pode inibir fibroblastos e retardar o processo de granulação. Escolha sempre a cobertura mais adequada ao leito da ferida em cada avaliação individual.

Conclusão

A úlcera venosa exige uma abordagem sistematizada, baseada em evidências e com foco na terapia compressiva como pilar central do tratamento. O enfermeiro tem papel fundamental na avaliação contínua, no planejamento dos cuidados e na educação do paciente — sendo o principal responsável pela evolução clínica dessas feridas. Conheça o Ensino Feridas Plus e aprofunde seus conhecimentos em tratamento de feridas, curativos e estomaterapia com cursos práticos e atualizados para profissionais de enfermagem.

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