A Escala de Braden é o instrumento de avaliação de risco para lesão por pressão (LPP) mais utilizado no mundo. Validada para o português brasileiro e recomendada pelo Ministério da Saúde e pelo COFEN, ela deve ser aplicada por todo enfermeiro que atende pacientes com risco de desenvolver LPP.

O Que é a Escala de Braden?

Desenvolvida por Barbara Braden e Nancy Bergstrom em 1987, a escala avalia seis dimensões que influenciam diretamente o risco de desenvolver lesão por pressão. O escore total varia de 6 a 23 pontos. Regra fundamental: quanto menor o escore, maior o risco.

As 6 Subescalas da Escala de Braden

1. Percepção Sensorial (1 a 4)

Avalia a capacidade do paciente de responder ao desconforto relacionado à pressão. Escore 1: sem reação a estímulos dolorosos. Escore 4: responde normalmente a comandos verbais sem déficit sensorial.

2. Umidade (1 a 4)

Avalia o grau de exposição da pele à umidade. Escore 1: pele constantemente úmida. Escore 4: pele raramente úmida.

3. Atividade (1 a 4)

Escore 1: confinado ao leito. Escore 4: deambula frequentemente (pelo menos 2x/dia).

4. Mobilidade (1 a 4)

Escore 1: completamente imóvel. Escore 4: muda de posição frequentemente sem auxílio.

5. Nutrição (1 a 4)

Escore 1: nunca ingere refeição completa, sem proteínas adequadas. Escore 4: ingere a maior parte das refeições com proteína adequada.

6. Fricção e Cisalhamento (1 a 3)

Escore 1: requer assistência máxima para mover, frequentemente escorrega. Escore 3: move-se de forma independente com força suficiente.

Interpretação dos Escores

≤ 9 = Risco muito alto | Reposicionamento a cada 1-2h, superfície especial urgente.
10–12 = Risco alto | Reposicionamento a cada 2h, colchão de redistribuição de pressão.
13–14 = Risco moderado | Reposicionamento a cada 2-4h, atenção à nutrição e umidade.
15–18 = Risco leve | Reposicionamento a cada 4h, hidratação da pele.
19–23 = Sem risco | Educação ao paciente e monitoramento.

Exemplo Clínico Completo

Paciente: Sr. José, 74 anos, AVC hemorrágico, hemiplegia à direita, incontinência urinária, alimentação por sonda com 75% da meta calórica.

Escore total: 10 → Risco ALTO. Conduta: reposicionamento a cada 2h, colchão de pressão alternante, creme barreira para incontinência, avaliação nutricional urgente.

Quando Aplicar a Escala de Braden?

Perguntas Frequentes

Qual é o ponto de corte da Escala de Braden?

O ponto de corte mais utilizado no Brasil é ≤ 16, indicando paciente em risco. Protocolos de UTI podem adotar ≤ 18 para maior sensibilidade.

Técnico de enfermagem pode aplicar a Escala de Braden?

A aplicação e interpretação são atribuições privativas do enfermeiro. O técnico pode auxiliar na coleta de dados, mas a avaliação e planejamento de cuidados devem ser realizados pelo enfermeiro.

Conclusão

Dominar a Escala de Braden é essencial para uma prática segura na prevenção de LPP. Use o resultado para planejar intervenções individualizadas e documente sempre. Quer aprofundar seus conhecimentos em feridas e curativos? Conheça o Ensino Feridas Plus.

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